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A AÇÃO TRANSFORMADORA DO SER HUMANO

Contígua à concepção da natureza humana tem operado outra que nos falou da passividade da consciência. Esta ideologia considerou o homem como uma entidade que agia em resposta aos estímulos do mundo natural. O que começou em grosseiro sensualismo, aos poucos foi sendo deslocado por correntes historicistas que conservaram no seu seio a mesma idéia em torno da passividade. E ainda quando privilegiaram a atividade e a transformação do mundo por sobre a interpretação de seus fatos, conceberam a dita atividade como resultante de condições externas à consciência. Mas, aqueles antigos preconceitos em torno da natureza humana e da passividade da consciência hoje se impõem, transformados em neo-evolucionismo, com critérios tais como a seleção natural que se estabelece na luta pela sobrevivência do mais apto. Tal concepção zoológica, na sua versão mais recente, ao ser esta transplantada ao mundo humano tratará de superar as anteriores dialéticas de raças ou de classes com uma dialética estabelecida segundo leis econômicas «naturais» que auto-regulam toda a atividade social. Assim, mais uma vez, o ser humano concreto fica submerso e objetivado.


Mencionamos acima as concepções que para explicar o homem começam desde generalidades teóricas e sustentam a existência de uma natureza humana e de uma consciência passiva. Em sentido oposto, nós sustentamos a necessidade de arranque desde a particularidade humana, sustentamos o fenômeno histórico-social e não natural do ser humano e também afirmamos a atividade de sua consciência transformadora do mundo, de acordo com sua intenção. Vemos sua vida em situação e seu corpo como objeto natural percebido imediatamente e submetido também imediatamente a numerosos ditados de sua intenção. Por conseguinte se impõem as seguintes perguntas: como é que a consciência é ativa? Isto é, como é que ela pode intencionar sobre o corpo e através dele transformar ao mundo? Em segundo lugar, como é que a constituição humana é histórico-social? Estas perguntas devem ser respondidas a partir da existência particular para não recair em generalidades teóricas segundo as quais se deriva depois um sistema de interpretação. Desta maneira, para responder à primeira pergunta terá que apreender-se, com evidência imediata, como a intenção atua sobre o corpo e, para responder à segunda pergunta haverá que partir da evidência da temporalidade e da intersubjetividade no ser humano e não de leis gerais da história e da sociedade. Em nosso trabalho, Contribuições ao Pensamento, trata-se de dar resposta precisamente a essas duas perguntas. No primeiro ensaio de Contribuições se estuda a função com que cumpre a imagem na consciência, destacando sua aptidão para movimentar o corpo no espaço. No segundo ensaio do mesmo livro, se estuda o tema da historicidade e sociabilidade. A especificidade destes temas nos afasta demais da presente carta, por isso remetemos ao material citado.



Bibliografia
Silo, Obras Completas, Volume I, “Cartas a meus Amigos”, Quarta carta a meus amigos, e “Contribuições ao Pensamento”.

 

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A VERDADEIRA SOLIDARIEDADE

Consideremos estas idéias: “Onde há sofrimento e posso fazer algo para aliviá-lo, tomo a iniciativa. Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”.
Semelhantes idéias parecem práticas, mas nos deixam o sabor de falta de solidariedade. Como seguir em frente alegremente deixando para trás o sofrimento, desentendendo-nos do pesar alheio?


Vejamos um exemplo. No meio da calçada, um homem cai em violentas convulsões. Os transeuntes se concentram, dando instruções contraditórias e criando ao redor do doente um cerco asfixiante. Muitos se preocupam, mas não são efetivos. Talvez quem chame urgentemente ao médico, ou aquele outro que põe a raia aos curiosos para evitar o aglomeramento, sejam os mais ajuizados. Eu posso ser um dos que tomam a iniciativa, ou talvez um terceiro que consegue algo positivo e prático em tal situação. Mas se atuo por simples solidariedade criando confusão, ou obstaculizando aos que podem fazer algo prático, não ajudo, e sim prejudico.


O anterior é compreensível, mas que quer dizer: “…Onde não posso fazer nada, sigo meu caminho alegremente”? Não quer dizer que estou muito contente por isso que sucedeu. Quer dizer que minha direção não deve ser entorpecida pelo inevitável; quer dizer que não devo somar problemas aos problemas; quer dizer que devo positivizar o futuro, já que o oposto não é bom para outros nem para mim.


Há pessoas que, com uma mal entendida solidariedade, negativizam quem quer ajudar e prejudicam a elas mesmas. Essas são diminuições da solidariedade, porque a energia perdida nesse comportamento deveria haver-se aplicado em outra direção, em outras pessoas, em outras situações nas quais efetivamente tivesse obtido resultados práticos. Quando falamos de resultados práticos, não nos referimos somente ao brutalmente material, porque até um sorriso ou uma palavra de encorajamento podem ser úteis se existe uma possibilidade de que ajudem.