A PAISAGEM EXTERNA
(Capítulo III do livro A Paisagem Interna)
Olha como lentamente caminha esse casal. Enquanto ele enlaça sua cintura, ela reclina suavemente a cabeça sobre o ombro amigável. E avançam por entre as folhas de outono que esvoaçam crepitantes... Na expiração do amarelo, do vermelho e do violeta. Jovens e formosos avançam, porém, para a tarde de uma névoa cinzenta. Uma garoa fria e os jogos das crianças, sem crianças, em jardins desertos.
1. Para alguns, isto reaviva suaves e talvez amáveis lembranças. Para outros libera sonhos; para alguns mais, promessas que serão cumpridas nos dias radiantes que virão. Assim, diante de um mesmo mar, este se angustia e aquele, reconfortado, se expande. E mil outros, absortos, contemplam os penhascos gelados; enquanto muitos outros admiram esses cristais talhados em gigantesca escala. Uns deprimidos, outros exaltados, diante da mesma paisagem.
2. Se a mesma paisagem é diferente para duas pessoas, onde está a diferença?
3. Deve acontecer o mesmo com aquilo que se vê e aquilo que se escuta. Toma como exemplo a palavra "futuro". Este se crispa, aquele permanece indiferente e um terceiro sacrificaria seu "hoje" por ela.
4. Toma como exemplo a música. Toma como exemplo as palavras com significado social ou religioso.
5. Às vezes acontece que uma paisagem é reprovada ou aceita pelas multidões e pelos povos. Contudo, essa reprovação ou aceitação, está na paisagem ou no seio das multidões e dos povos?
6. Entre a suspeita e a esperança, tua vida se orienta para paisagens que coincidem com algo que existe em ti.
7. Todo este mundo que não escolheste, mas que te foi dado para que humanizes, é a paisagem que mais cresce quando cresce a vida. Portanto, que o teu coração nunca diga: "Nem o outono, nem o mar, nem os montes gelados têm a ver comigo", mas que afirme: "Quero a realidade que construo!"
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Notas Internacionais
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