livro “Humanizar a Terra”
Da Conferência de apresentação do livro “Humanizar a Terra”
Reykjavik, Islândia, 13 de novembro de 1989
O terceiro livro, A Paisagem Humana, está dedicado em seus primeiros capítulos a esclarecer os significados de paisagem e de olhar que se refere a essa paisagem, questionando a forma de olhar para o mundo e de apreciar os valores estabelecidos. Há, neste trabalho, uma revisão sobre o significado do próprio corpo e o corpo dos outros, sobre a subjetividade e sobre o curioso fenômeno de apropriação da subjetividade do outro. Conseqüentemente, se desenvolve um estudo fragmentado em capítulos sobre a intenção: a intenção na Educação; no relato que se faz da História; nas ideologias; na violência; na Lei; no Estado e na Religião. Este não é um livro simplesmente contestatório, como se tem dito, já que propõe novos modelos correspondentes a cada tema que critica. A Paisagem Humana tenta fundamentar a ação no mundo reorientando significados e interpretações sobre valores e instituições que pareciam definitivamente aceitos. Com respeito ao conceito de "paisagem", direi que ele constitui uma peça fundamental do nosso sistema de pensamento como já se tem visto em outras produções como Psicologia da Imagem e também
Mas o conceito tem mais amplitude já que a paisagem não é, somente, o natural que aparece diante dos olhos, mas também o humano, o social. É certo que cada pessoa interpreta as outras segundo sua própria biografia e põe no alheio mais do que percebe. De acordo com isso, nunca vemos da realidade do outro o que o outro é em si, mas formamos do outro um esquema, uma interpretação surgida da nossa paisagem interna. A paisagem interna se sobrepõe à externa que não somente é natural, mas também social e humana. Claramente ocorre que a sociedade muda e que as gerações se sucedem e, então, quando a uma geração compete atuar, ela o faz tentando impor valores e interpretações formadas em outra época. As coisas vão relativamente bem em momentos históricos estáveis, mas em momentos como o atual, de grande dinâmica, a distância entre as gerações se acentua ao mesmo tempo em que o mundo muda debaixo dos nossos pés. Para onde irá nosso olhar? O que devemos aprender a ver? Não é estranho que nesses dias se popularize a idéia de "nos dirigirmos a uma nova forma de pensar". Hoje temos que pensar rápido porque tudo vai mais rápido e o que acreditávamos até pouco tempo atrás, como se fosse uma realidade imutável, hoje já não é mais. Assim pois, amigos, já não podemos pensar mais a partir da nossa paisagem se esta não se dinamiza e universaliza, se não é válida para todos os seres humanos. Temos de compreender que os conceitos de "paisagem" e de "olhar" podem servir-nos para ir ao encontro dessa anunciada "nova forma de pensar" que está exigindo este processo de mundialização crescentemente acelerado.
Bibliografia
Silo, Obras Completas, Volume I, “Humanizar a Terra”.
Silo, Obras Completas, Volume I, “Fala Silo” - Conferência de apresentação do livro “Humanizar a Terra” - Reykiavik, Islândia, 13 de novembro de 1989
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